Hendrix já cancelou um show só para ir ao camarim de Buddy Guy dizer que tinha ‘roubado’ muitas idéias dele. Tempos depois, em 2010, o bluesman lança, aos 74 anos, “Living Proof” (Silverstone Records) e mostra porque, certa vez, foi reverenciado pelo maior guitarrista da história. O disco, construído como uma autobiografia sonora, brinda a sólida carreira de Guy.
O álbum começa com a canção “74 Years Young” (Hambridge, Nicholson). Um divisor de águas entre rural e urbano, Mississippi e Chicago. Na introdução, Guy toca seu violão de aço e parece cantar a história de sua vida. Mas, quando chega ao solo, dá o recado e mostra ao que veio: enlouquecer o som com um timbre de guitarra vibrante e ‘sujo’.
“Thank Me Someday” (Guy, Hambridge) é daqueles blues que parece ter sido ‘fermentado’ em um barril de uísque – o som é tradicional. Já em “On The Road” (Hambridge, Fleming) Guy pega uma estrada diferente e passeia pelo funk. Até chegar a um importante momento do disco – o primeiro de dois grandes encontros nesta obra.
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É na faixa “Stay Around a Little Longer” (Hambridge, Nicholson) que Buddy Guy se reencontra com BB King. Antes do dueto, a famosa guitarra Lucille se apresenta. E, na canção, os dois brindam a longevidade desse estilo centenário. BB King está com 85 anos e ainda toca e canta como um Rei do Blues. Assista ao vídeo.
Em “Key Don’t Fit” (Hambridge, Nicholson), Guy abre espaço para o pianista Reese Wynans e entrelaça, com as teclas do piano, todo o vigor das cordas de sua guitarra. É um blues mau, tenso, às vezes, bruto, mas que termina sutil – ao mesmo tempo, ácido. Confuso? São coisas de Buddy Guy. A percepção é que, nesta obra, tudo se encaixa no final.
A faixa que dá nome ao disco é um shuffle poderoso – desses pra fechar o olho e cantar junto. O refrão é marcante e é intercalado por belas vozes femininas. Na guitarra, Guy abandona sua Fender Stratocaster e ‘frita’ ao som da Telecaster. O timbre remete às guitarras rústicas do Mississippi feitas com corda de aço, de arame. É pesado.
Depois de “Living Proof” (Hambridge), acontece o segundo grande encontro do álbum. Buddy Guy toca “Where The Blues Begins”: um blues quente, latino, ao lado do guitarrista mexicano Carlos Santana. Em ‘Too Soon’ (Guy, Hambridge, Fleming), o blues tradicional volta com força total. É música pra tocar no salão e todo mundo dançar – a imagem que vem à cabeça é de uma festa jook joint dos negros norte-americanos.
Na vida de Buddy Guy não faltaram amores e, neste disco, não podia faltar um ‘slow’. Em ‘Everybody’s Got To Go’ (Guy, Hambridge, Fleming) ele flerta com um som mais pop, sem deixar de ser blues. Em”Let the Door Knob Hit Ya” (Guy, Hambridge), Guy mostra a mesma vitalidade de quando começou, no final dos anos 50.
Na faixa “Guess What” (Fleming, Hambridge) Reese toca seu hamond (órgão) e faz a base para, mais uma vez, Guy enlouquecer na guitarra. O instrumental “Skanky” finaliza a obra no melhor estilo ‘jam session’, quando Guy chama os amigos e faz um blues.
No disco “Linving Proof”, nada soa como novidade, afinal, é um apanhado da sonoridade de Guy ao longo da história. Ele é único, eterno.

Já li esse texto no Caderno 2… por que será?
hehehe.. essa é uma versão estendida daquele texto. Completo, com vídeo e as músicas para baixar!
[...] This post was mentioned on Twitter by Felipe Tavares. Felipe Tavares said: Living Proof: retrato da biografia sonora de Buddy Guy http://dlvr.it/D6KJz [...]